💌Eu sentei e chorei
Tive uma crise de choro.
E não foi por uma coisa só. Acho que foi por muitas, todas ao mesmo tempo, se acumulando em silêncio até o corpo transbordar. Passei a manhã de sábado olhando as coisas que ainda faltam para a casa nova, fazendo orçamento, comprando, resolvendo detalhes, tentando organizar o que ainda parece meio solto. A gente se muda na próxima terça. Só essa frase já carrega um mundo inteiro dentro. Mudança, para mim nunca é só mudança. É expectativa, cansaço, medo, esperança, gasto, decisão, desapego e aquele desejo profundo de que tudo dê certo.
No meio disso tudo, sábado também foi aniversário do meu pai. Sessenta anos. Eu não pude estar com ele porque ele mora em Minas e eu aqui em São Paulo, no meio dessa travessia dos últimos dias antes da mudança. Enviei um presente, liguei para parabenizá-lo e, em tom de brincadeira, ele disse que agora já tem mais história vivida do que história para viver. Essa frases entrou em mim de um jeito diferente. Mesmo que a frase tenha sido dita com leveza, ela tocou num lugar sensível. A finitude. O tempo. A distância. A impossibilidade de estar presente em certos momentos. O amor que existe, mas que nem sempre consegue se materializar em abraço.
Talvez eu tenha chorado por isso também. Pela falta que faz poder estar perto das pessoas que a gente ama em dias importantes. Pela estranheza de perceber o tempo passando para os nossos pais, e para nós também. Pela vida adulta, que às vezes exige da gente presença em um lugar e deixa o coração puxado para outro.
Além disso, o Lucas está viajando, e eu acho que a ausência pesa mais justamente quando a vida está exigindo tanto. Também usei a manhã de sábado para colocar alguns workshops na página de eventos do Shala, o que em teoria é bom, produtivo, parte dos planos e dos sonhos. Mas até as coisas boas, quando se acumulam em cima de um corpo cansado, podem virar peso.
Na verdade, meu corpo já vinha me avisando há alguns dias que estava demais. Na semana passada, tive terçol.
Depois, no meio das caixas, da poeira e de tudo que envolve uma mudança, desencadeei uma crise de rinite que acabou virando sinusite. Precisei ir ao médico, estou tomando antibiótico e anti inflamatório, tentando me recuperar enquanto continuo resolvendo a vida. E acho que isso também pesa. Porque, por mais que a gente se veja como forte, e talvez até seja, existe uma ilusão em achar que vamos passar ilesas por períodos assim. Às vezes o corpo sente antes, avisa antes, pede antes. E talvez o choro de hoje também tenha vindo desse acúmulo, de tudo o que estou tentando sustentar ao mesmo tempo, por dentro e por fora.
Então chorei.
E, pensando melhor agora, talvez o choro não tenha sido um excesso. Talvez tenha sido honestidade. Talvez tenha sido o corpo dizendo o que eu ainda não tinha conseguido dizer com clareza: está sendo muita coisa para segurar ao mesmo tempo.
E talvez seja importante dizer também que nem sempre a gente chora porque algo está errado. Às vezes, a vida está acontecendo de um jeito bom, bonito até. No meu caso, estamos indo para um apartamento novo, vendo planos saírem do papel, organizando sonhos concretos. Está tudo bem, apesar de tudo. Mas mesmo as coisas boas exigem de nós. Também cansam, também aceleram, também pedem energia, presença e estrutura emocional. Acho que o difícil, às vezes, não é estar mal, e sim ter coisa demais acontecendo ao mesmo tempo, até quando são coisas desejadas e felizes.
Escrevo isso também porque sei que, às vezes, a vida não desaba em grandes tragédias. Às vezes ela só vai pedindo um pouco demais de nós por vários lados pequenos, e quando percebemos, já estamos com o peito apertado, o coração acelerado e os olhos cheios d’água. Não porque somos fracas. Mas porque somos humanas. Porque sentimos. Porque amamos. Porque nos importamos.
Hoje eu chorei por ansiedade, sim. Mas acho que chorei também por amor, por saudade, por cansaço, por transição e por tudo aquilo que não cabe em planilhas, listas de compra ou caixas de mudança.
Talvez crescer também seja isso: perceber que nem todo choro precisa ser consertado. Alguns só precisam ser acolhidos.
Nathalia Morgana
💎CONTEÚDO DA SEMANA
🗓️TEMA DO MÊS DE ABRIL
Em abril, começamos uma nova transição na prática. Depois de três meses trabalhando o elemento Terra, com foco em base, rotina, pertencimento e desaceleração, agora entramos no elemento Água. A proposta deste mês é confiar mais no corpo, escutar seus ritmos e permitir mais fluidez nos movimentos e na vida. Em sintonia com o outono e com o chakra Svadhisthana, nossas aulas vão explorar sensibilidade, mobilidade, presença e a força suave que existe em quem não precisa endurecer para se sustentar.
💡 DICA DE YOGA
Quando a mente estiver acelerada, experimente posturas de aterramento. Permanecer por alguns minutos em posturas como Balasana, Uttanasana ou Tadasana pode ajudar a sinalizar segurança para o corpo. Nem sempre o que precisamos é de mais estímulo. Às vezes, o Yoga começa quando paramos de nos empurrar e começamos a sustentar a nós mesmas.
🧘♀️DICA DE MEDITAÇÃO
Quando estiver com a mente cheia, em vez de tentar esvaziá la, comece a nomear internamente o que está presente em você naquele momento. Ansiedade. Pressa. Saudade. Cansaço. Expectativa. Gratidão. Medo. Só isso. Sem analisar, sem corrigir, sem brigar. Dar nome ao que sentimos pode diminuir a confusão interna, porque aquilo que era um turbilhão começa a ganhar contorno. Às vezes a paz não vem de silenciar tudo, mas de reconhecer com honestidade o que está aí.
🌿DICA DE AYURVEDA
No Ayurveda, a casa também é remédio.
Quando estamos em fases de transição, excesso de decisões ou instabilidade, não é só o corpo que precisa de cuidado, o ambiente também precisa começar a oferecer chão. Uma dica simples é escolher um único ponto da casa para transformar em espaço de regulação: uma bandeja com chá, uma vela, um aroma, uma manta, um cantinho bonito onde o corpo entenda que pode pousar. Isso também é terapêutico. Nem sempre o equilíbrio vem só da alimentação ou das ervas. Às vezes ele começa quando o espaço ao redor deixa de nos agitar e passa a nos acolher.
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Escrita linda dessa semana. Boa mudança. 🥰